Pescaria, futebol e politica.
Paulo Batista Gomes
quinta-feira, 28 de maio de 2026
A 6x1, a CLT e a Escravidão Assalariada
O Capital de Hoje é trabalho Não Pago Ontem
Guerra para quem?
Trabalho vivo sendo morto
A Bolívia acaba de decretar estado de exceção. O governo diz que é para garantir a ordem. Mas ordem de quem? Para quem? A resposta está na economia, não nos discursos.
Todo mundo sabe que a Bolívia é rica. Lítio, gás, estanho, água. Mas a riqueza natural não vira riqueza social sozinha. Para virar, precisa de trabalho humano. É o mineiro que arranca o minério do chão. É o camponês que planta. É o operário que transforma. Esse trabalho vivo (a energia humana gasta na produção, o suor de quem faz a roda girar) é a única fonte de valor novo. Sem ele, não há lucro, não há sistema. O patrão (seja ele boliviano, brasileiro ou transnacional) vive de sugar trabalho não pago. Paga um salário que cobre parte da jornada e embolsa o resto. Isso se chama mais-valia. É o coração do capitalismo.
Mas o capitalismo tem uma doença incurável que ele mesmo produz. Para competir, cada empresa precisa baixar custos. A forma mais eficaz é trocar gente por máquina. A máquina produz mais, mais rápido, sem cansar, sem fazer greve, sem pedir aumento. Só que a máquina é trabalho morto (trabalho passado, já cristalizado em equipamentos, que só transfere o valor que contém sem criar nada novo). Quem cria valor novo é o trabalho vivo (gente trabalhando de verdade). Então o sistema faz o seguinte: quanto mais automatiza, mais expulsa trabalhadores. Quanto mais expulsa, menos trabalho vivo está disponível para sugar. Quanto menos trabalho vivo, menos mais-valia. Quanto menos mais-valia, menos lucro. O capital cava o buraco onde ele mesmo vai cair.
Para adiar a queda, ele tem três saídas. Nenhuma resolve.
Primeira: arrancar mais de quem ainda está empregado. Jornadas mais longas, ritmo alucinado, salários rebaixados. O trabalhador que sobra paga pelo trabalhador que foi descartado.
Segunda: levar a produção para países onde a mão de obra é mais barata e os direitos são menores. A Bolívia recebeu investimento estrangeiro exatamente por isso. Mas a automação chega lá também, e a concorrência entre países pobres achata ainda mais os salários.
Terceira: especular. Dinheiro que faz dinheiro sem passar pela fábrica, pela mina, pela roça. Só que especulação não cria uma grama de valor (valor é trabalho humano materializado, e especulação é só aposta). Ela suga o valor produzido em algum canto do mundo e aposta na destruição.
Enquanto isso, a natureza grita. O capital trata a terra como fonte infinita de matéria-prima e depósito infinito de lixo. Não é. O esgotamento bate à porta todo dia: seca, inundação, incêndio, desertificação. Para extrair lítio, o capital devasta salares, suga aquíferos, expulsa comunidades. Depois vende a bateria como "energia limpa". A limpeza fica na propaganda. A sujeira fica no território.
Nesse quadro, a crise não é um acidente. É o modo normal de funcionamento do sistema. Crise periódica, crise estrutural, crise que não passa mais. A taxa de lucro tende a cair no longo prazo (porque o capital substitui trabalho vivo por trabalho morto, e só o trabalho vivo gera lucro novo). O que sustenta o capital são contratendências que um dia se esgotam. Quando se esgotam, vem o ajuste. E o ajuste tem nome: arrocho, privatização, corte de gasto, estado de exceção.
A Bolívia viveu um ciclo reformista com Evo Morales. Nacionalizou alguns setores. Isso não é socialismo. É o Estado capturando renda mineira e distribuindo uma parte para conter o descontentamento. A propriedade privada dos meios de produção ficou intocada. Os movimentos sociais foram cooptados, as lideranças viraram base parlamentar, a luta de classes foi desarmada. Enquanto o preço das commodities (produtos primários como minério, gás e soja, vendidos em bruto no mercado mundial, cujo preço é definido pelas bolsas internacionais e escapa ao controle do país que os produz) esteve alto, a conta fechava. Quando despencou, a margem para concessões desapareceu. O que veio depois não foi traição. Foi continuidade lógica: o capital sem maquiagem, com Rodrigo Paz aplicando o programa que a crise mundial exige.
A classe trabalhadora boliviana respondeu como se responde a um ataque: greve geral, bloqueios, ocupações. Mineiro parou mina. Camponês fechou estrada. Morador de El Alto tomou rua. Isso não é baderna. É a defesa da vida contra um sistema que suprime a vida.
O estado de exceção é a resposta do Estado. O Estado não é neutro. Ele é a forma política da dominação do capital. Quando a dominação funciona pelo convencimento, ele aparece como democracia, direito, cidadania. Quando o convencimento falha, ele mostra a essência: violência organizada dos proprietários contra os produtores. Exército na rua. Toque de recolher. Prisão de lideranças. Criminalização do protesto. Tudo com a assinatura do Judiciário e o silêncio da grande imprensa.
A grande imprensa, aliás, cumpre seu papel. Não informa, deforma. Chama a greve de "caos". Chama o bloqueio de "vandalismo". Chama o estado de exceção de "medida necessária". Esconde que o caos é produzido pelo capital, que o vandalismo é a destruição cotidiana da natureza e dos corpos, que a medida necessária seria tirar o poder de quem destrói o planeta.
A imprensa que se diz alternativa também faz sua parte na manutenção da ordem. Entrevista Evo, discute "recomposição do campo popular", trata a crise como se fosse uma disputa entre gerentes. Isso desvia a atenção da raiz. A raiz não é se o governo é de direita ou de esquerda. A raiz é que qualquer governo dentro do capitalismo administra a exploração. Pode administrar com chicote ou com cenoura. Mas o chicote e a cenoura estão na mão da mesma classe.
O estado de exceção é a admissão de que a cenoura acabou. O capital não pode mais governar com consentimento. Precisa governar com medo. Mas o medo não produz valor. O medo não extrai lítio. O medo não planta comida. O medo pode paralisar por um tempo, mas não resolve a contradição que gerou a crise. A contradição segue lá: o capital precisa de trabalho vivo (gente produzindo) e ao mesmo tempo o elimina; precisa de natureza e ao mesmo tempo a destrói; precisa de consumidores e ao mesmo tempo os empobrece.
Essa contradição não tem solução dentro do sistema. Reformar não adianta. Votar não adianta. Trocar o gerente não adianta. A única saída é arrancar o poder das mãos da classe que vive de sugar trabalho alheio e destruir o mecanismo que transforma tudo em mercadoria.
Isso significa abolir a propriedade privada dos meios de produção. A terra, a água, o subsolo, as fábricas, a tecnologia (tudo isso foi produzido coletivamente) e deve ser gerido coletivamente. Não para gerar lucro, mas para satisfazer necessidades.
Significa abolir o trabalho assalariado. Ninguém deve vender sua vida por um salário que mal repõe as forças gastas. A tecnologia, hoje usada para descartar gente, deve ser usada para reduzir a jornada, eliminar o trabalho penoso, liberar tempo para viver.
Significa construir poder de classe, não delegação a salvadores. Conselhos, assembleias, comitês de base. Formas de decisão em que quem produz decide o que, como e para que produzir. Sem intermediários que traem na primeira negociação.
O estado de exceção na Bolívia é um aviso. O capital está sem saída e está disposto a tudo. A pergunta é: a classe trabalhadora está disposta a quê? Continuar aceitando a exploração com verniz indigenista ou terno neoliberal? Ou romper com a exploração de uma vez por todas?
Não há terceira via. Ou enterramos o capitalismo, ou ele nos enterra (e com ele enterra a terra, a água, o ar, o futuro). A hora é agora.
quarta-feira, 14 de novembro de 2012
PRESENTAN EN BOLIVIA PROYETO PARA VÍCTIMAS DE DICTADURAS.(Violeta Colina de Venezuela).
La Asociación de Familiares de Detenidos, Desaparecidos y Mártires de la Democracia presentó al presidente boliviano, Evo Morales, el proyecto de Ley de la Comisión de la Verdad, para hacer justicia a desaparecidos durante gobiernos dictatoriales.
Acabamos de tener una reunión con el mandatario donde se presentó un proyecto de ley que viene arrastrándose desde 2010, señaló a la Agencia Boliviana de Información el presidente de la referida asociación, Luis Aparicio.
El dirigente apuntó que el objetivo de la norma es que los familiares de desaparecidos consigan castigo para los autores materiales e intelectuales de crímenes de lesa humanidad.
Según la Asamblea Permanente de Derechos Humanos existen 154 desaparecidos registrados.
De acuerdo con Aparicio, la ley hará justicia a centenares de familias que contribuyeron a la recuperación de la democracia, donde se edificó el proceso de cambio.
ALERTAN EN URUGUAY SOBRE MANIOBRAS CONTRA CUBA
La Comisión Nacional de Organizaciones Sociales del Uruguay (Conosur) alertó este sábado de maniobras contra Cuba, ante el próximo período de sesiones del Comité Contra la Tortura de la ONU.
En una declaración emitida este sábado, Conosur advirtió sobre canalladas contra la legislación cubana y falsedades sobre supuestas represión a opositores políticos y de derechos humanos en la isla.
Detrás de esta intentona, añadió el texto, está la persistente campaña de hostilidad del gobierno de Estados Unidos, con la intención de difamar y mostrar un clima de desestabilización en la nación caribeña.
Para ello financia y orienta personas para cometer actos ilegales, alterar el orden, a veces con violencia, instándolos luego para abusar de los mecanismos oficiales de la ONU, añadió la comunicación.
Conosur exaltó la dignidad, la autodeterminación, la soberanía, el proceso propio del pueblo cubano, sus trabajos y desvelos para instalar al ser humano en el centro del sistema.
La entidad destacó el compromiso de Cuba con el desarrollo y la felicidad de su pueblo, promoviendo los esfuerzos en la cultura, en la educación, en la salud.
Nos pronunciamos contra esta jugada imperial que hoy día, a través de sus personeros, quiere que en la ONU el Comité contra la tortura ataque a Cuba, añadió el mensaje.
Conosur previene entonces este intento de distorsión de la realidad y emite una alerta sobre la sucia campaña que en estos meses de abril y mayo repicará las falacias por todo el planeta, expresó la declaración.
La institución exigió, a su vez, la liberación de los cinco patriotas de la ínsula injustamente presos en cárceles norteamericanas, que ellos sí han sido víctimas de las más variadas desconsideraciones hacia un ser humano.