A crise é insolúvel dentro do capital
O estado de exceção na Bolívia não vai resolver a crise, assim como não resolveu em nenhum lugar onde foi aplicado. Ele pode, temporariamente, desarticular a resistência e permitir algumas privatizações, alguns cortes, alguma recomposição da taxa de lucro. Mas a contradição de fundo permanece: o capital precisa de trabalho vivo para se valorizar, mas desenvolve as forças produtivas a ponto de tornar o trabalho vivo supérfluo; precisa de valores de uso para produzir mercadorias, mas esgota a natureza em escala planetária; precisa de consumidores, mas comprime salários e descarta populações inteiras.
A crise boliviana é um capítulo da crise mundial do capital. A resposta do capital a essa crise é a barbárie: estado de exceção, repressão, guerra, destruição ambiental. A resposta da classe trabalhadora só pode ser a ruptura. Não a troca de gerentes, não a volta ao reformismo que já mostrou seus limites históricos, mas a construção de poder próprio, a reapropriação social dos meios de produção, a abolição da propriedade privada e do trabalho assalariado.
O estado de exceção é o sinal de que o capital já não pode governar como antes. Resta saber se a classe trabalhadora compreenderá que também não pode mais ser governada como antes. A hora é de escolher: ou o capital nos enterra com seus estados de exceção e sua destruição planetária, ou enterramos o capital antes que seja tarde.
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