Paulo Batista Gomes

Paulo Batista Gomes

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Parasitas e suas Guerras

E na contradição do capital reside o maior potencial de conscientização do proletariado, e a guerra é a urgência derradeira de quem de forma parasitária garante sua vida de privilégios.
O capital, na sua essência, é uma relação social baseada na exploração. Para se reproduzir, ele precisa de expansão constante, novos mercados, novos recursos, nova força de trabalho para explorar. Quando essa expansão encontra barreiras, sejam elas geográficas, políticas ou a própria resistência da classe trabalhadora, o sistema entra em crise.
A guerra é a tentativa de romper essas barreiras pela força bruta. É a "urgência derradeira" porque, para o capitalista individual e para o sistema como um todo, a alternativa à expansão violenta é a estagnação e o colapso. É a demonstração de que o capitalismo, quando não pode mais comprar ou negociar, apela para a destruição como forma de abrir caminho para novos ciclos de acumulação. Mas na guerra capitalista a máscara cai. O trabalhador descobre que sua vida vale apenas o preço do uniforme que veste e da bala que o mata. Ele vê os "donos do dinheiro" não só isentos do sacrifício, mas lucrando bilhões com a destruição. A contradição entre a retórica patriótica ("lutar pela nação") e a realidade material ("morrer para o acionista da indústria bélica ficar mais rico") torna-se insustentável.
O famélico, o proletário, percebe que ele é o recurso mais abundante e mais descartável na equação da guerra. Os mísseis são caros e precisam ser contabilizados; a vida do trabalhador é barata e há sempre mais de onde veio. Essa percepção é um catalisador revolucionário.
O capitalista, na guerra, assume sua forma mais pura, ele não produz, ele não está no front. Ele não fabrica o aço com as próprias mãos. Ele especula, investe, vende e lucra. Ele vive da morte, o sangue do trabalhador-soldado e da população civil é o lubrificante que faz girar as engrenagens de seus lucros. Um míssil Tomahawk, que custa milhões, ao ser disparado, é um lucro realizado para a Raytheon. Um hospital destruído é uma dívida paga para a construtora que o reconstruirá depois.
O capital não tem pátria. Enquanto os trabalhadores de dois países se matam em trincheiras opostas, os acionistas das indústrias bélicas dos dois lados, muitas vezes os mesmos fundos de investimento globais, celebram o aumento do PIB da guerra em seus iates em águas internacionais. Dessa contradição se alimenta a tomada de consciência do sujeito histórico da sociabilidade humana.

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