Paulo Batista Gomes

Paulo Batista Gomes

sexta-feira, 29 de maio de 2026

Moral?

A moral é a redução do geral ao indivíduo. É o olhar que parte do "eu" e, no máximo, chega ao "outro" como extensão do mesmo. É a lógica do mérito, da responsabilização individual pela pobreza, da caridade como virtude. O sujeito moral pergunta o que eu devo fazer e a resposta nunca ameaça a estrutura.
No capitalismo, essa moral é funcional. Ela transforma a exploração em questão de comportamento pessoal. O operário desempregado é preguiçoso. O bilionário é empreendedor. A fome é resolvida com doação, não com mudança na propriedade da terra. A violência policial é tratada como excesso de alguns agentes. Tudo é reduzido ao indivíduo para que o sistema permaneça intacto.
A ética, ao contrário, parte da totalidade. Ela pergunta: O que a humanidade, em seu desenvolvimento histórico, precisa para se emancipar, indivíduo não desaparece, ele se realiza como momento consciente do gênero. Sua ação ética não é aquela que o torna bom aos olhos da moral vigente, mas aquela que contribui para a superação das relações de exploração.
Um operário que fura a greve pode ser moralmente correto aos olhos do patrão e da mídia (não viola a lei, não causa transtorno). Mas ele é eticamente reprovável porque enfraquece a luta coletiva. Inversamente, um militante que ocupa uma fábrica pode ser imoral (invade propriedade privada, desobedece à polícia), mas é eticamente superior porque age em nome do gênero humano.
A educação burguesa forma sujeitos morais, indivíduos que se veem isolados competindo entre si, responsabilizando-se por seus fracassos. O que ela não forma e, ativamente bloqueia, é a consciência ética, isto é, a capacidade de se ver como parte de uma classe, de uma história, de uma luta que transcende a própria biografia.
A revolução socialista exige essa passagem. Não basta que os trabalhadores tenham bons valores morais (honestidade, solidariedade pontual, respeito à lei). É preciso que eles desenvolvam uma ética de classe, a disposição de agir coletivamente, mesmo contra a moral dominante para transformar as condições materiais de existência.
A revolução é internacional e permanente.

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